A síndrome da dor miofascial pode surgir a partir de posturas erradas, treinos inadequados, esforços repetitivos e até mesmo do estresse do dia dia, entre outras cousas. Acredita-se que atualmente, 85% da população refere dor de origem musculoesquelética sendo comum entre 30 e 60 anos (com aumento da incidência em jovens) e com a prevalência de 65% para o sexo feminino.

Acredita-se que após um estresse ocorre uma resposta protetora com liberação de células que aumentam a contração muscular e alteram este metabolismo. Em consequência a isso, o relaxamento da contração não acontece e há a formação dos ponts-gatilho miofasciais. Nesse local ocorre a formação de radicais livres gerando estresse oxidativo muscular com consequente fadiga, dor e formação de novos pontos-gatilho. Também pode haver diminuição da geração de força muscular.

Geralmente estes pontos são hipersensíveis e bem localizados. No entanto, a dor pode também  irradiar comprometendo os movimentos, a postura e até o sono, por provocarem tensão, ardência e até espasmos.

O tratamento Fisioterapêutico é indicado para “inibir” esta região, dessensibilizando-a e promovendo a melhora da “maleabilidade” do tecido muscular com consequente relaxamento por aumento do fluxo sanguíneo local. Consequentemente, as atividades de vida diária e a prática de exercícios físicos voltam a ser realizáveis e prazerosas.

A liberação (ou inibição) miofascial, eletroterapia analgésica e anti-inflamatória, exercícios específicos, relaxamento e alongamentos  são alguns recursos para o tratamento clínico. É importante considerar que hábitos saudáveis que incluam a prática de exercícios físicos orientados para melhora da consciência corporal e de relaxamento , controle do estresse , entre tantas outras atitudes positivas, vão contribuir para a prevenção um nova crise.

O que vem se destacando atualmente na prática clínica é o uso da terapia por ondas de choque extracorpórea (TOC) para o tratamento da Síndrome da Dor Miofascial ou Pontos-gatilho Miofasciais.

A onda de choque é uma onda sônica que se propaga rapidamente pelos tecidos biológicos e pode ser caracterizada como um impulso mecânico de alta pressão e alta potência. Este gradiente de pressão muito rápido e de alta frequência causa nos tecidos um fenômeno denominado cavitação, no qual são geradas microbolhas.

 

Os primeiros experimentos com esta tecnologia na área musculoesquelética partiram da ideia de que uma energia aplicada de forma extracorpórea poderia causar o estímulo mecânico e este desencadearia reações fisiológicas – a partir da eclosão destas microbolhas – como liberação de fatores de regeneração tecidual e neovascularização. As ações das ondas de choque no processo inflamatório/degenerativo se devem a liberação de óxido nítrico, alteração da permeabilidade das membranas celulares, aumento local de prostaglandinas (fatores de regeneração), neoangiogênese e analgesia por estimulação local. Na prática clínica se observa, com frequência, uma melhora da sensação de dor logo após a aplicação da terapia de ondas de choque, provavelmente pelo estímulo tátil nas terminações nervosas locais. A maioria dos pacientes relata uma progressiva melhora da dor e da mobilidade articular. Essa melhora pode ser explicada pelo relaxamento do espasmo da musculatura e incremento da microcirculação local, decorrente de todo processo fisiológico. Esse mecanismo promove um aumento do aporte de nutrientes no tecido e proporciona a diminuição das áreas de isquemia o que possibilita a cura.

Silva, RMV. Efeitos da Terapia por Ondas de Choque Radial na dor Miofascial: ensaio clínico, randomizado e cego. UFRN. Natal/RN (2018)
Ketzman P, Lenza M, Pedrinelli A, Ejnisman B. Tratamento por Ondas de Choque nas doenças musculoesqueléticas e consolidações ósseas – análise quantitativa da literatura. Rev. Bras. Orto. 2015, 50(1):3-8

 

Madalena Giordani Suleiman
CREFITO 10/39262-F